Horizonte promissor
Corria o início da década de 1940 quando Alfredo Fedrizzi liderou uma expedição em busca de florestas com abundância de pinheirais. O objetivo? Construir uma fábrica de papel. Era uma tentativa ousada de diversificar os negócios da Vinícola Riograndense, de Caxias do Sul. Depois de percorrer campos no Paraná e em Santa Catarina, o martelo foi batido por uma área do Meio Oeste catarinense. Nos recônditos de Várzea Bonita, escondia-se uma floresta de araucárias perfeita para o início da produção. Havia um horizonte bem delineado para a Irani..
Desafios lançados
Não importa o setor ou o país. Poucas empresas têm a virtude de celebrar 85 anos em plena atividade. É o legado construído durante todo esse tempo que qualifica a Irani Papel e Embalagem a enfrentar os próximos ciclos.
Instabilidades e momentos de dificuldade fazem parte da trajetória de qualquer empresa longeva. Com a Irani não foi diferente. E não será diferente. O segredo para chegar até aqui com tanto vigor está no modo como os desafios são encarados: seguindo princípios de inovação e ética, colocando as pessoas no mais alto grau de importância – clientes, fornecedores, acionistas, colaboradores.
Desafios vencidos
Nos anos 1950, a Irani foi pioneira em reflorestamento no Brasil. Não surpreende que, em 2006, tenha se tornado a primeira indústria de papel e celulose do país a emitir créditos de carbono pelo Protocolo de Kyoto — a segunda, em nível global.
A vocação inovadora também foi vista em 2020, quando a companhia captou R$ 405 milhões com um re-IPO e concluiu a migração para o Novo Mercado da B3, com mais de 90 mil acionistas nos dias atuais. Movimentos assim só foram possíveis graças ao aperfeiçoamento da governança e à reestruturação financeira feitos a partir da década de 1990, quando o Grupo Habitasul assumiu a operação.
O futuro próximo da Irani é materializado pela Plataforma Gaia. Trata-se de uma série de projetos em andamento, com aportes que somam R$ 743 milhões até 2023. O objetivo é aumentar a competitividade por meio da ampliação da capacidade produtiva e da suficiência energética.
Os cinco anos que separam os 80 dos 85 anos foram, talvez, os mais transformadores da história recente da companhia. A Plataforma Gaia, lançada em 2020, saiu do papel e ganhou corpo em dois grandes ciclos que somam mais de R$ 1 bilhão em investimentos já realizados.
E agora?
Passados 85 anos do desbravamento da Vila Campina da Alegria, a Irani já olha para o próximo horizonte. A Plataforma Neos — sucessora natural da Gaia — traduz uma ambição inédita: dobrar a capacidade produtiva da companhia até 2035. Esse novo ciclo se ergue sobre fundações sólidas: governança no Novo Mercado, geração própria de energia em expansão, compromissos climáticos com base científica e uma cultura que já provou ser capaz de se reinventar.
Como Alfredo Fedrizzi olhou para os pinheirais de Vargem Bonita no início dos anos 1940, a Irani olha agora para 2035. Há, novamente, um horizonte bem delineado.